Docinho
Docinho era uma calopsita
nascida em cativeiro
não conheceu a liberdade
mas tinha muitos iguais a ela
do lugar de onde ela veio
mudou de prisão
foi morar em minha casa
eu o carcereiro cruel
a amava
meus filhos também a amavam
docinho era brava
dai veio esse nome lindo
que Rosa deu a ela
um dia docinho se acostumou a nova prisão
e aos ombros da carceragem
não piava
ela num era de fazer som
foi se soltando aos poucos
saiu de sua gaiola que ficava aberta
sempre que um de nós estava por perto
e cada vez mais solta
docinho andava por ali
pela prisão
os carcereiros de olho
mas ontem a tragédia anunciada
docinho se sentiu segura
e fugiu ao olhar do cárcere
e longe do alcance do olho
docinho encontrou a mel
nossa cachorrinha assanhada e brincalhona
que não sabe brincar com passarinhos.