O mar trouxe-me notícias
Vindas da terra de lá
Escreveu-me doce carta
pra me fazer chorar
o meu amado marinheiro
qu’ ainda não voltou do mar.
Contou-me das aventuras
que teve de encarar.
Não teve monstro ou besta
mas tormentas a enfrentar
As tempestades duradouras
prendem-no longe do seu lar.
Esperando seu retorno,
ver seu navio aproximar
aguardo o amado no porto
vendo cada onda dançar
chegam cartas, mil notícias
mas nada dele chegar
Pescadores se espantam
de muito me encontrar
sentada no cais vazio
querendo ver atravessar
tanto sal e água, tanta onda,
o navio que vem de lá
Meu querido marinheiro
como sabe demorar!
As ondas que o levaram
não o querem me entregar
com o navio, foi-se embora
para nunca mais voltar
Queria ter ido ao seu lado
pra além das terras de lá
mais me entristecem as cartas
que muito fazem recordar
o amado marinheiro
que se perdeu no mar.