Eu só sei amar
se o amor for como uma doença
grave
dessas que a gente varia
arrasta pelo chão como um verme
que para sobrepor o amor
a gente o mata
de
ódio
e de rancor
espeta no peito
um punhal
banhado em veneno
e vergonha
o infeliz sangra
até morrer
mesmo depois
de morto
revive
num alvoroço d’alma
como um fantasma
a te puxar os pés
e você o chuta
com suas rezas frias
com seus dentes velhos
você o morde
arranca seu sexo
e cospe o sangue
proveniente do amor
e do ódio
a dor exposta
você se desculpa
se arrasta pelo quarto
mendiga um sinal
e ganha um sorriso
entre lágrimas
e guimbas de cigarro.